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Meu Deus! Por quê?
“Por volta das três horas da tarde, Jesus bradou em alta voz: 'Eloí, Eloí, lamá sabactâni? ' que significa: 'Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? ' Mt27.46
Entre a terceira e quarta palavras de Jesus na cruz, houve um silêncio de três horas. Nesse período, houve trevas em toda a terra; o dia virou noite. Foram horas de escuridão no mundo, onde os nossos pecados estavam pesando terrivelmente nos ombros de Jesus, o único que jamais pecou.
O que estava Ele pensando e sentindo durante aquelas agoniantes três horas? Não sabemos e não temos como dimensionar... Na verdade, falamos muito sobre a salvação ser ‘de graça’ para nós e deixamos de lado o altíssimo preço pago por Jesus na cruz para nos salvar.
Depois de três horas, Jesus rompeu em silêncio. Ele citou, ou melhor gritou, o Sl22.1 em hebraico, sendo entendido por alguns judeus ao redor da cruz; outros achavam que Jesus chamava pelo profeta Elias. A fala de Jesus, “Deus meu! Deus meu! Por que me abandonaste?” é um desafio para nossa compreensão.
Primeiro temos Jesus chamando Deus, de meu Deus por duas vezes. O relacionamento com Deus-Pai foi a referência, o fundamento, o alicerce da vida e da obra de Jesus. E, mesmo no pior momento de sua vida, nas mais densas trevas, Deus continuou sendo o Seu Deus! Era com Deus que Jesus falava; nem o imenso peso do pecado tirou de Jesus o desejo, a necessidade de falar com o Pai!
Então, Jesus fez uma pergunta: “Por que me abandonaste?” Teólogos tentam explicar o que Jesus queria dizer. Alguns dizem que Deus não abandonou Jesus, e que foi uma força de expressão. Me parece mais coerente o entendimento de que, ao se fazer pecado por nós (2Co5.21), Jesus usou a palavra certa: abandono. Deus é santo e nossos pecados nos separam dele.
Na cruz Jesus experimentou a dor da separação de Deus, a dor da morte pelo pecado... Aquele não teve pecado, assumiu o pecado do mundo, o meu e o seu pecado, sobre si, enfrentando a maior angústia de alma jamais vista, a noite escura da alma.
Em seu grito, Jesus atribuiu o abandono a Deus, não aos discípulos e nem aos judeus, mas a Deus. O abandono dos discípulos, ainda que difícil, não se compara ao abandono que Jesus sentiu naquele momento de aparente vitória das trevas.
Conhecer e entender o que aconteceu na cruz, há quase 2 mil anos, deve impactar a nossa vida hoje. No mínimo, devemos levar o pecado mais a sério, entendendo o quanto nosso pecado ofende a santidade de Deus, o quanto nos afasta Dele. Devemos sempre, uma e outra vez, trilhar o caminho do arrependimento, confissão e abandono do pecado.
Como não nos derramarmos em gratidão pela vida de Jesus entregue na cruz a nosso favor? Jamais teríamos condições de nos salvar, de pagar pelos nossos pecados... mas foi o que Jesus fez por nós.
Temos a profunda descrição que Isaias fez do Senhor, o servo sofredor: “Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças, contudo nós o consideramos castigado por Deus, por ele atingido e afligido. Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados” - Is53.4,5.
Bendito e amado Salvador!