Ver e crer
“O Senhor disse a Moisés: — Envie alguns homens que espiem a terra de Canaã, que eu vou dar aos filhos de Israel. Enviem um homem de cada tribo de seus pais, sendo cada qual chefe entre eles. Moisés os enviou do deserto de Parã, segundo o mandado do Senhor. Todos aqueles homens eram chefes dos filhos de Israel. Depois, foram até o vale de Escol e ali cortaram um ramo de videira com um cacho de uvas, o qual foi trazido por dois homens numa vara. Trouxeram também romãs e figos. Apesar disso, toda a congregação disse que Josué e Calebe deviam ser apedrejados; porém a glória do Senhor apareceu na tenda do encontro a todos os filhos de Israel. O Senhor disse a Moisés: — Até quando este povo me provocará e até quando não crerá em mim, apesar de todos os sinais que fiz no meio dele?” Nm13.1 a 3, 23; 14.10,11
A voz de Deus, as Suas palavras são claras e diretas; são verdadeiras e se cumprem. A questão é que não sabemos ouvir. Nosso ouvido tem a tendência de ser seletivo. Ouvimos algumas partes, desconsideramos outras. A história dos espias é um bom exemplo disso.
Quando o Senhor falou para Moisés escolher 12 espias, Ele disse claramente que era uma missão de reconhecimento da terra. Não era uma avaliação para decidir se teriam condições de conquistar a terra ou não. Deus textualmente falou: “espiem a terra de Canaã, que eu vou dar aos filhos de Israel”.
Os espias não eram pessoas comuns do povo; os doze eram líderes em suas tribos, tinham responsabilidades na condução do povo de Deus segundo a direção dele. Para isso, deveriam conhecer a Deus, ouvir sua voz e obedecer.
Em sua missão os espias viram a fertilidade da terra. Eles até levaram um cacho de uvas tão grande que precisou ser carregado por dois homens! Uma evidência material do que Deus tinha preparado para eles.
Infelizmente, quando viram os moradores da terra, passaram a se comparar com eles, esquecendo que era a presença do Senhor e não os recursos pessoais ou poderio bélico deles, que lhes permitiriam conquistar a terra prometida. Viam a si mesmos como gafanhotos diante dos moradores da terra. E ainda pensavam que eram vistos assim por eles!
Todas as vezes que deixamos Deus de fora da equação, nossa avaliação passa a ser, no mínimo, questionável. O pior é que, como os dez espias, podemos influenciar outros a não confiarem em Deus, mas dependerem de si mesmos.
O raio de esperança vem através da vida de Josué e Calebe. Eles se posicionaram firmemente lembrando as palavras e o poder de Deus. Eles creram que a Palavra de Deus era verdadeira, assim como seu poder para cumpri-la. Eles não se calaram e tentaram encorajar o povo a crer na promessa de Deus.
Entretanto, o povo escolheu ouvir e acolher a fala dos outros dez espias. Chegaram a dizer que Josué e Calebe deveriam ser apedrejados! Mas a tentativa de calarem os servos de Deus com violência, não prosperou. Deus entrou em cena: a glória do Senhor apareceu na tenda do encontro diante dos olhos de todo Israel.
E Deus perguntou: “Até quando este povo me provocará e até quando não crerá em mim, apesar de todos os sinais que fiz no meio dele?” Não é esta uma pergunta que se repete ao longo das gerações e em nossa própria vida?
Deus continua revelando a Sua glória; estamos rodeados de evidências do seu amor e graça. O túmulo de Jesus está vazio; o Espírito Santo habita em nós, em cada cristão. Ainda assim, temos dificuldades em crer nele e seguimos confiando em nossos olhos míopes, em nosso coração tendencioso e em nossas avaliações equivocadas.
Que a voz do Senhor continue ecoando dia a dia, nos chamando a ouvir o que Ele tem a dizer, a ver os seus sinais e a crer no seu poder!